Mar 7, 2012

O efeito valentino dessa estação


Onde tudo é tão intenso, tão compacto e tão forte a flor da pele. Falamos de amor como se não mais existisse o mesmo, e creio eu que o tal por esse motivo fica muito chateado e até mesmo, vingativo. A história dos sentimentos é cercada de mistérios, de hipérboles e onomatopeias. Seja por isso, talvez, que gememos tanto quando é bom, quando é ruim. Mas mesmo sentimentais que somos, continuamos animalescos, de instintos primitivos, sempre muito agressivos e vivos. Sabe-se que por um tempo eu parei de escrever sobre amor. Não porque parei de senti-lo (no caso, isso aconteceu por um tempo até senti-lo como hoje, verdadeiramente), mas pelo motivo de precisar organizar todas as minhas ideias a respeito disso. Herdamos uma certa natureza em julgar tudo enraizada em nossas mentes enganadas pelo tempo e desgaste emocional e criamos a defesa/ataque de dizer que o amor não é nada mais do que um simples feeling que deve ser alimentado por nossas famílias e somente por elas, pois, por mais que quisessem, não nos deixariam e mesmo se o fizessem, não deixariam de ser o que são. Ou seja, não há grandes decepções se depositarmos nosso amor somente em nossa mãe ou em alguns outros entes queridos. Errado. Decepcionaríamos mais se nunca nos apaixonássemos. Cair de amores é tão lindo, quanto trágico. Se não fosse, tanto eu quanto inúmeros outros que escrevem, cantam, pintam, dançam, não fariam o que fazem tão inspirados no amor. Separar um tempo do meu dia para escrever sobre paixões e epifanias deixou de ser rotina. As vezes eu somente escrevia por conta de meu relacionamento frustrado e por falta de espaço/pessoa para desabafar e jogar tudo aquilo para fora de mim. Simplesmente relatava um momento ruim do 'amor' e conseguia assim uma paz momentânea até que me decepcionasse de novo. A questão é que quando você está vivendo bem com alguém acaba se ocupando tanto com a felicidade que esquece que também pode escrever sobre isso. Foi o que ocorreu e está ocorrendo comigo.  As vezes falar de algo feliz é muito mais difícil do que falar sobre algo sofrido. O motivo é simples: Para falar sobre a tristeza basta-nos meia dúzia de desaforos bem colocados, palavras de lamento para tudo e para nada e um fim trágico, em que no fundo mostra o quanto gostaríamos de uma mudança. Falar de felicidade é complicado. Muita das vezes não sabemos descrever nosso momento repleto de coisas queridas e nos faltam palavras, muito diferente de nossos infortúnios. Nesse momento a atmosfera de felicidade se eleva e mesmo que você, no qual lê esse texto, não tenha alguém consigo pode ter ao menos um cachorro ou gato no qual você compartilha suas alegrias e tristezas e é um amor tão grande que lhe basta. E se não lhe basta, te conforta. E ai sim, tudo se vê completo. O segredo do clima aconchegante que a chuva traz, ou o calor de euforia que os dias quentes nos proporcionam não está nos mesmos, se encontra nesse eterno e nem sempre uniforme sentido do efeito valentino dessa estação. As vezes nos serve olhar para a janela e contemplar o dia, a noite ou o fim de tarde que nas pequenas coisas parecem tão perdidos e perfeitos dentro de mentes cheias do vazio que nos é preenchido pela paixão de viver todos os dias como se caíssemos de nuvens cheias de corações pela primeira vez. Com o constante frio na barriga, com a perspectiva grande a nossa frente e o medo do que virá a acontecer. Só queremos que tudo nos seja bom, que tudo acabe bem; não que necessariamente exista um 'felizes para sempre' no final de toda crônica que escrevemos vivendo nossas vidas. 

1 comentários:

João Batista de Lacerda said...

Falar sobre sentimento é difícil e complicado, pois nem sempre somos compreendidos como gostaríamos.
Volte outras vezes.
Retribuo sempre.

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